Make your own free website on Tripod.com

JTHP
Voltar


Criação de Lebistes (parte I)

Da última vez (matéria número 2), eu falei um pouco de como criar uma linhagem. Qualquer espécie possível de se reproduzir em cativeiro pode ser utilizada para essa experiência. Mas a mais fácil e recompensadora certamente é a espécie dos chamados lebistes, guppys, guarús ou ainda million-fish. Pequeno, resistente e fértil, esse pequeno peixe vai ser objeto de nosso estudo nas próximas matérias.
Para começar, vamos ver as exigências desse nosso peixinho:

  1. água ligeiramente alcalina (pH 7.2);
  2. temperatura por volta de 25º;
  3. filtragem e aeração normais;
  4. pouco espaço, um aquário de 40 litros já é suficiente para uma comunidade de lebistes.

A existência do lebiste foi registrada em 1859, pelo cientista alemão Wilhelm Peters, no rio Guaira em Caracas, Venezuela. Em sua forma natural, ele é cinza. Hoje em dia encontramos as mais diversas colorações, graças a cruzamentos seletivos desenvolvidos em muitos países. Algumas cores conhecidas são violeta, vermelho, preto, verde, dourado, arlequim (corpo preto e cauda vermelha), cobra (corpo desenhado em tons metálicos), albino (logicamente, branco com olhos vermelhos), e muitas outras combinações. Muitas mesmo...
O macho é, na maioria das vezes, muito mais colorido do que a fêmea, e sempre é menor. Existem fêmeas coloridas, mas deve-se tomar cuidado para não se adquirir animais que sofreram algum tratamento com esteróides, anabolizantes ou quaisquer outros métodos condenáveis. Isso torna o animal (fêmea ou macho) estéril. Assim, como já mencionei, adquira matrizes com criadores de confiança. Uma excessão interessante é a do caso do lebiste preto ou 3/4 preto, onde a fêmea sempre possui a mesma coloração do macho. Talvez esse seja um ponto de partida apreciável para uma nova linhagem. Caso você resolva tentar essa sugestão, eu ficaria muito contente em receber seu e-mail!
O lebiste é um peixe ovovivíparo, ou seja, os embriões se desenvolvem dentro de ovos no interior do útero materno, e ali "nascem" até se desenvolverem, sendo então expulsos pela mãe, já em idade de se defenderem. Essa é a característica que torna fácil a criação dos lebistes. Os filhotes nascem nadando, fortes e resistentes, até podendo ser alimentados com ração. Além disso, sempre observar o nascimento dos alevinos é uma experiência maravilhosa!
Voltando à criação propriamente dita, outra coisa é importante de ser dita: evite misturar lebistes com outros peixes no mesmo aquário. A bela cauda do macho é um atrativo para peixes grandes, e torna o lebiste lento para escapar. As fêmeas são mais ágeis e fortes, mas mesmo assim, podem ser alvos fáceis de ataques. No caso de peixes menores que os lebistes (existem!), tudo bem, pois o nosso amigo é bem pacífico.
Lembre-se também de tampar o aquário, pois mesmo o lebiste não sendo saltador por natureza, um ou outro vôo indesejádo pode ocorrer.
Plantas como a samambaia-dágua são bem-vindas, principalmente no caso de você optar por não separar as fêmeas prenhas. As plantas são ótimos esconderijos para os alevinos recém nascidos.
Por fim, a alimentação. Rações são perfeitamente aceitáveis para os lebistes. Existem as especiais para a espécie, que dizem aumentar a cor. Nunca observei, no caso de lebistes, nenhuma que desse uma diferença notável, mas qualquer experiência é válida. No entanto, como sempre, a alimentação viva é melhor. Artêmia (principalmente para os filhotes), tubifex e até larvas de mosquitos são amplamente devoradas pelo bichinho. Aliás, em alguns países, o lebiste é usado para reduzir a população de pernilongos. Se possível, alimente os peixes 3 vezes ao dia, em pequenas quantidades (o suficiente para ser consumido em 5 minutos).
Na próxima matéria, falarei mais sobre a reprodução dos lebistes.

Criação de Lebistes (parte II)
Reprodução

Quando possuímos um ou mais casais de lebistes, podemos observar facilmente que o macho vive constantemente em volta da fêmea para a procriação. Ele nada em várias direções do aquário, e executa, em torno dela, uma espécie de dança, sacudindo o corpo e a cauda. A fêmea, por sua vez, fica sempre fugindo do macho, e quase sempre consegue, porque sua cauda menor a torna mais ágil do que ele. Quando o macho alcança a fêmea, ele encosta rapidamente seu gonopódio (órgão sexual situado entre as nadadeiras) na fêmea, para a inseminação.

Os filhotes vão nascer em 30 dias. Se você optar pela maneira artificial, por volta do 25º dia, se a fêmea estiver bem gordinha, é aconselhável colocá-la já na criadeira. Quando todos os filhotes já nascerem (cerca de 2 horas após o primeiro nascimento), coloque-os em um aquário, separados da mãe, para crescerem.

Uma fêmea de lebiste gera todo mês cerca de 30 a 90 filhotes e cerca de 90% deles sobrevivem.

Caso você opte por uma criação natural, não se esqueça de colocar muitas plantas no aquário para os filhotes escaparem dos ataques dos adultos. Nesse caso, a probabilidade de sobrevivência da ninhada logicamente baixa, mas vai depender do espaço do aquário e dos locais de fuga. Numa situação ideal, penso que 30% é um número razoável de filhotes que possam chegar à idade adulta.

Quando os filhotes estiverem com 2 meses de idade já é possível diferenciar os machos das fêmeas pela coloração da cauda. Com 3 meses de idade as características dos peixinhos já estão bem definidas. Você pode então começar a seleção das matrizes para novos cruzamentos.

É importante que, através desses cruzamentos seletivos, você procure obter cores intensas e bem definidas nos filhotes. A tendência natural quando os cruzamentos não são controlados, como já comentamos em outra oportunidade, é ocorrer uma diminuição das caudas e tonalidades das cores, nas futuras gerações.

Em uma matéria anterior, sugerimos uma forma de criação utilizando três linhagens diferentes (tamanho, cauda e cor). No entanto, esse tipo requer muito espaço. Uma outra sugestão, mais simples, seria a de cruzar o macho com sua filha e posteriormente com sua neta e assim consecutivamente. Isso vai garantir a pureza de coloração nos filhotes.

No entanto, não prolongue esse tipo de cruzamento consanguíneo por mais de 4 ou 5 gerações. A probabilidade de aparecerem defeitos congênitos aumenta demasiadamente. O surgimento de filhotes corcundas é normal, assim como a diminuição da resistência a doenças. Preocupe-se em inserir sangue novo na sua linhagem de tempos em tempos.

Para uma reprodução ideal, aconselhamos você separar sempre dois machos para três fêmeas, assim elas têm períodos maiores de descanso, não se estafando em tentar escapar dos assédios do macho.

Outra observação importante é a de que muitas vezes uma só fertilização pode ser responsável por duas crias ou até três. Isso por que a fêmea retem espermatozóides do macho no organismo mesmo após o nascimento da ninhada. Ou seja, algumas vezes você pode deixar a fêmea isolada após a cria e depois de um mês uma nova cria ser observada, sem uma outra participação do macho.

Quanto à fertilização (normal) de mais de um macho, prevalece sempre a última. Ou seja, o último a cortejar a fêmea será o pai definitivo. Ainda há controvérsias com relação a essa observação, pois alguns defendem a tese de que existe uma mistura das características genéticas da ninhada, tantas quantos forem os machos participantes da corte. No entanto, eu acredito ainda na teoria do último prevalece 100%. Caso você observe algo sobre isso, estou ávido por um comentário seu!

Para finalizar, apenas gostaria de lembrar de que muito do que foi dito aqui sobre lebistes pode ser extrapolado para todos os outros ovovivíparos, como o espada, o plati e a molinésia. No entanto, nenhuma espécie é mais fértil do que a dos lebistes. Por esse motivo é que encontramos uma tão extensa variedade de cores na raça.

Com tudo isso, percebemos por que existe a tese de que é impossível encontrar dois lebistes machos exatamente iguais.


Qualquer dúvida mande um
Mande um e-mail